Lella: Cinema
Blog do X
Visite Também:
Comunidade no Orkut

 

 

 

 

 

 

 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Batman : O Cavaleiro das Trevas
(Batman: The Dark Knight, 2008)

Por:
Marcos Andrade (crítico eventual)

"O roteiro é impecável. O Cavaleiro das Trevas é um filme excelente pelas questões que levanta, pelas alternativas que apresenta e pela precisão de um diretor que, a cada obra, se afirma como um dos justamente reconhecidos grandes nomes do cinema contemporâneo. Nolan nos deu uma obra prima"

Ok. Ele me surpreendeu em O Segredo de Broack Back Mountain, embora a sua participação em A última Ceia já me permitisse perceber a emergência de um Ator (assim mesmo, com “A” maiúsculo). Todavia, quando soube de sua escalação para o Coringa, na nova investida de Christopher Nolan ao universo do Batman, eu me preocupei.

Ok de novo. A preocupação se dissipou logo à divulgação das primeiras fotos, dos primeiros trailers, dos primeiros spoillers. Toda uma enxurrada de comentários preliminares e de modestas observações iniciais me fizeram perceber que ele funcionaria no papel, que ele se desincumbiria com honra do personagem; mas, admito, absolutamente nada me preparou para o portento de atuação que eu mal acabo de apreciar. Heath Ledger não nos deu apenas a melhor atuação de sua breve carreira, mas ele nos presenteou com uma das melhores atuações de todos os tempos. O Coringa de Ledger certamente haverá de compor qualquer ontologia, qualquer menção que se faça a um dos melhores trabalhos que um ator já teve a oportunidade de realizar.

O Coringa de Nolan/Ledger é a epifania do caos, é a nota anárquica, sínica, ressentida, que põe a nu a mentira de um sistema que se pretende dotado de sentido e coerência; é o mensageiro da dissolução que exibe essa mesma dissolução como a razão última de um cosmos sem sentido; é a força pós-deleuziana que desfaz os efeitinhos de superfície sobre os quais se fundamenta uma sociedade, ela, sim, de palhaços. A máxima nietzsheana do “o que não me mata me fortalece” é levada pelo Coringa à extrema conseqüência lógico-existencial que o próprio Nietzche não foi ousado para admitir: O que não nos mata, diz o comediante, na verdade nos torna mais estranhos. Já a um bom tempo que o cinema não nos apresentava uma discussão tão ácida sobre a condição humana. Os irmãos Nolan e David Goyer ousaram... e foram irrepreensivelmente bem sucedidos.

O roteiro é impecável. O Cavaleiro das Trevas é um filme excelente pelas questões que levanta, pelas alternativas que apresenta e pela precisão de um diretor que, a cada obra, se afirma como um dos justamente reconhecidos grandes nomes do cinema contemporâneo. Nolan nos deu uma obra prima.

A exigüidade desse comentário é incompetente para dar conta das possibilidades de apreciação que o filme nos apresenta. Assisti-lo é a única crítica possível. Mas há que se pontuar um ou outro (grande) mérito no filme de Christopher Nolan.

Maggie Gyllenhaal, ainda bem, substitui Katie Holmes no papel de Rachel Dawes. Feinha, com olhos de cachorro boxer, esta atriz sensível e refinada consegue o que a primeira não ousou realizar: Permitir ao público uma relação empática com a personagem que haverá de responder pela descida definitiva do personagem protagonista ao seu inferno de agonia e heroísmo. Toda a antipatia da personagem em Batman Beggins cede espaço à admiração de uma platéia que deverá à atuação de Maggie belos e trágicos momentos de comoção.

Gary Oldman nos brinda com o que talvez seja o melhor trabalho de sua carreira até aqui... Não há como descuidarmos de apreciá-lo por sua divertidíssima interpretação em O Quinto Elemento, mas o seu comissário Gordon responde com brilho e à altura a toda a densidade que seu personagem detém no universo original dos comics. O comissário Gordon de O Cavaleiro das Trevas (a obra gráfica) e do Ano Um, ambos trabalhos de argumento de Frank Miller, jamais visto no desperdício de Pat Hingle nos filmes de Burton e Schumacher, é encontrado com honra nesse trabalho de Oldman. Gordon, assim como outros personagens dessa trama, talvez até concorde com o Coringa que não há um razão prévia, não há um programa inicial, não há um projeto antecipado, mas o mundo pode ter, sim, um sentido, se nós o obrigarmos a isso. De fato, o último capítulo não foi escrito por ninguém, mas a caneta está em nossas mãos e cabe a nós capricharmos em nossos desfechos.

Michael Caine, outra vez corretíssimo em seu Alfred, não apenas significa o alívio, a descompressão, pela intervenção exata de um humor bem vindo, mas também a possibilidade da esperança quando tudo notícia o caos.

Aaron Eckhart desempenha um Harvey Dent que, afinal, constitui o núcleo narrativo em torno do qual a história se constrói. Atuação brilhante. Os leitores de estórias em quadrinho que antecipadamente sabem da tragédia que aguarda o personagem (ele se tornará o horrendo Duas Caras) não estão prontos para os modos através dos quais tal tragédia será urdida no desenrolar da trama de Goyler e da atuação de Eckhart. Harvey Dent é o personagem que mais intensa e barbaramente fará o trânsito da luz à escuridão.

 


 

desaconselhável para menores de 12 anos
Clique aqui para ir para ficha principal
Ultimas Atualizações
Promoções